Ambos seguiram com suas vidas.
Pilar teve dois filhos e levava uma vida muito confortável. Victor também se casou, teve filhos e se destacou dentro do ramo empresarial.
Eles mantiveram contato, se viam raramente por causa das agendas apertadas mais continuavam amigos, a amizade continuava a mesma.
[...]
Era um dia normal de trabalho para Victor, ele estava se preparando para uma reunião com alguns representantes de suas empresas no exterior, quando um telefonema o surpreendeu, era ela.
- Pilar? - ele atendeu surpreso, ela raramente ligava durante a semana.
- Você está ocupado? - suas voz estava estranha, parecia estar chorando.
- O que aconteceu? - ele sabia que algo estava errado.
- Pode vim no café? - ele sabia qual café era, sempre se encontravam por lá.
- Tudo bem, em vinte minutos chego ai.
Victor desligou o telefone e sem demora arrumou suas coisas, trancou sua sala e mandou sua secretária desmarcar a reunião e todos os seus compromissos do dia, ela precisava dele e hoje ele seria só dela.
[...]
Assim que estacionou o carro ele a viu sentada em uma mesa sozinha, tinha em mãos uma xícara de café que devia estar quente ainda, ela encarava o horizonte com o rosto triste. Victor nunca á vira assim como naquele dia.
Victor decidiu descer do carro e ir ao seu encontro, assim que o viu Pilar não sorriu como de costume, isso o deixou ainda mais preocupado.
- Vim o mais rápido que pude. - ele disse se sentando.
- Obrigada. - ela deu um meio sorriso.
- O que houve?
- Bem, hoje fui ao médico pegar os resultados dos meus exames e... - ela se desmanchou em lágrimas - Eu estou com câncer Victor.
O coração de Victor acelerou, ele não conseguia acreditar no que acabara de ouvir, só podia ser brincadeira. A qualquer momento Pilar ia enxugar as lágrimas falsas e rir da cara de otário dele, mais isso não aconteceu, ela apenas continuou chorando.
- Isso é mentira, não é? - ele não queria acreditar.
- Bem que eu queria, mas não. - ela o encarou com tristes olhos verdes e voltou a chorar - Ai meu deus, tenho câncer. O que eu vou fazer? - ela soluçava auto, não conseguia se controlar.
- Calma, calma. - Victor correu ao seu lado e a abraçou como sempre fazia quando ela estava mal - John e as crianças já sabem?
- Não. - ela fungou - Decidi contar primeiro para você, talvez me ajude a falar com eles.
- É claro que vou, pode contar comigo. - ele afagava seus compridos cabelos ruivos.
- Eu não posso acreditar que isso esteja acontecendo comigo. - ela voltou a chorar.
- Calma pequena, tudo vai ficar bem. - ele tentava acalmá-la.
- Como pode ter tanta certeza? - ela o encarou.
- Eu estou aqui, não estou? - ela afirmou com a cabeça - Então, eu nunca vou deixar que nada de mal te aconteça.
E pela primeira vez naquela tarde, Pilar sorriu. E Victor ficou aliviado de vê-la assim, isso o confortava.
- Depois de tantos anos ainda me chama de pequena. - ela apertou seu nariz e ele riu.
- Eu vou te chamar de pequena pro resto de nossas vidas.
[continua...]
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